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Para agradar o rentismo nacional e internacional trataram de aprovar a crudelíssima PEC dos Gastos, que congela por vinte anos investimentos nas áreas primárias do Brasil, como saúde, educação, segurança pública etc.

O governo golpista brasileiro é tão atabalhoado que, apesar da capacidade de ser hilário, risível, não consegue o sucesso de uma comédia pastelão. Mas tenho a impressão que um comediante competente, na condução do governo, obteria melhor desempenho, seria mais proveitoso para a Nação.

Tudo indica que os trapalhões do poder têm verdadeira obsessão pelo governo, mas parece que, inversamente proporcional, não possuem qualquer envergadura, aptidão, para a governança.

Até agora, depois de consumado o famigerado golpe parlamentar-constitucional-judicial, não conseguiram fazer praticamente nada que realmente se possa considerar como planejamento governamental consentâneo com o campo da atividade pública.

O que fizeram ou fazem é sempre de afogadilho, por isso falho, incompleto, enviesado, malfeito. Eles não têm noção do que é preciso fazer. Não fazem sequer a leitura certa dos verdadeiros problemas nacionais. E, em agindo assim, desconhecem o elementar para governar o País.

Para começar, basta lembrar que, ao alojarem-se no poder, a violência e a criminalidade nos centros urbanos no Brasil já estavam com índices alarmantes. E sabendo que realmente é um dos problemas mais angustiantes dos brasileiros, em vez de adotarem medidas planejadas e eficazes no setor, ignoraram a política pública e castigaram a população.

Para agradar o rentismo nacional e internacional trataram de aprovar a crudelíssima PEC dos Gastos, que congela por vinte anos investimentos nas áreas primárias do Brasil, como saúde, educação, segurança pública etc., que contrário senso, precisa a cada exercício financeiro anual de mais verbas para a sua estruturação e evolução para a promoção do bem-estar da sociedade com vistas ao crescimento e desenvolvimento do País.

Agora, em face à omissão, negligência e culpa do governo espúrio em atacar racionalmente as reais carências nacionais, agigantou-se de lá para cá a violência e a marginalização no Brasil, e mais uma vez age fora do sentido, ou seja, sem saber o que fazer com uma realidade que contribui decididamente para piorar, e apresenta outra saída estapafúrdia: a intervenção militar no sistema de segurança pública do Rio de Janeiro. Um lembrete: governar é se inteirar dos problemas e promover ações públicas programadas para resolver ou amenizar a situação.

Por Deusval Lacerda de Moraes, pós-graduado em Direito

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