Físico piauiense, em Oxford, testa recursos revolucionários para Microscopia Óptica

Os estudos em Biologia só começaram avançar fortemente quando o Microscópio foi inventado no século XVII. Antes de sua invenção o mundo que não consegue ser observado fora dos limites do olho humano era completamente desconhecido.

Os antigos tinham uma noção de que deviam existir seres minúsculos, mas tudo era muito na base da imaginação. Nomes como Anton von Leeuwenhoeck, Marcelo Malpighi e Robert Hooke foram os responsáveis por adotar lentes de vidro polidas na observação do mundo microscópico, o que permitiu uma verdadeira revolução nas ciências biológicas.

Do microscópio óptico usado pelos cientistas pioneiros até os dias de hoje, usados para o ensino de Biologia e ciências da saúde, muita coisa evoluiu. Foram inventados já no século XX aparelhos que usam outras tecnologias, bem mais caras por sinal, para investigação de um mundo cada vez mais restrito e limitado pelo tamanho. Hoje existe uma grande gana de combinações entre aparelhos sofisticados como microscópios eletrônicos de transmissão e de varredura, que permitiram maior ampliação da visão dos cientistas.

O microscópio óptico ainda é um dos recursos mais importantes para quem lida com a chamada Microbiologia. Mas o uso da luz como o recurso de investigação tem suas limitações tecnológicas. Um bom microscópio consegue ampliar com nitidez apenas 2000 vezes. Isso dá para aumentar o tamanho de uma Escherichia coli, a bactéria comensal que vive no nosso intestino e tem 6 micrômetros de comprimento, para 12 milímetros, uma imagem razoavelmente grande. Mas por incrível que pareça isso ainda é muito limitado. Se o pesquisador quisesse ver o capsídeo (estrutura corporal) do HIV que mede 120 nanômetros não conseguiria mesmo com o melhor microscópio óptico, aumentando 2000 vezes, chegaria próximo a 0,2 mm, muito pequeno para o olho humano, mesmo com este aumento.

A novidade na Microscopia Óptica

O piauiense José Inácio da Costa Filho, formado em Física pelo Instituto de Física de São Carlos – IFSC da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos (SP) está conduzindo sua pesquisa de Doutorado e pode mudar o curso da microscopia óptica mundial.

José Inácio da Costa Filho. Fonte: Arquivo pessoal.

Com mestrado no estudo de Lasers e agora no desenvolvimento da sua pesquisa na Universidade de Oxford, na Inglaterra, Zé Inácio trabalha pondo em prática um conhecimento relativamente novo. Uma teoria descoberta em 2016 está se transformando em uma aplicação prática que pode revolucionar o mundo da microscopia óptica. Trata-se do uso da técnica Hermite-Gaussian Microscopy. Esta técnica permite extrair mais informação da luz recebida pelo microscópio, reduzindo as perdas de visão por difração, reduzindo as distorções das imagens, permitindo um provável incremento de até 3 vezes na potência de visualização de microscópios ópticos. Nos atuais microscópios só é possível usar o aumento máximo, de 2000 vezes, com o uso de óleo de imersão, exatamente para melhorar a visualização. Com a nova técnica será possível um aumento com nitidez de 6000 vezes o que aumenta mais ainda o campo de visão de quem depende da microscopia e não tem recursos para usar microscopia eletrônica.

Equipamentos usados nos testes. Fonte: Arquivo Pessoal.

Aliás é bom que se diga que, nem tudo o que se estuda poderia ser usado com microscopia eletrônica, visto protocolo de preparação de amostras que também é um fator limitante para o uso do equipamento e da técnica. A pesquisa desenvolvida por Costa Filho pode representar uma total mudança de paradigma para muitos segmentos que dependem da microscopia óptica.

Para quem achar que a Ciência tem limites é sempre bom lembrar que tem alguém mais sagaz investigando um meio de superar estes limites. Siga o seu caminho, Zé Inácio!

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