Esposas denunciam maus-tratos contra presos e familiares na Major César

Esposas de detentos denunciaram ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH) que os seus companheiros estão sofrendo maus-tratos e tortura na Colônia Agrícola Major Cesar. Elas também relataram que algumas mulheres foram vítimas de violência física e moral, por meio de puxões de cabelo e xingamentos.

Uma das esposas, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou ao Cidadeverde.com que as agressões partem da direção e dos agentes penitenciários da unidade.  Ela disse ainda que a Major César está há mais de 24 horas sem o abastecimento de água e a comida servida aos detentos com odor ruim. 

Os casos de agressões ocorreram durante a visita na terça (01) e na quarta (02) desta semana, que são os dois dias de visita no local.

“Eu estava na terça lá, eles chegaram para fazer o ‘procedimento’ apontando as armas pra gente. Estávamos no pavilhão. Eles tiraram o meu esposo do meu lado pra fazer o procedimento. Não respeitaram a minha presença e ainda me mandaram ficar em silêncio. Eles ficavam passando a mão na cabeça dele, aqueles ‘tapinhas’. Não era assim, foi a primeira vez que vi, e também soube que eles ficam fazendo o procedimento mais de quatro vezes e durante a madrugada, eles nem dormem direito”, disse. 

Ela disse ainda que antes as visitas poderiam “passear” pela Colônia Agrícola, mas, nesta semana, elas foram restritas ao pavilhão. As visitas íntimas foram mantidas. “O comum não era fazer esse procedimento, que é mandar o preso colocar na mão na cabeça, se abaixar, sentar no chão. Eles ficavam só olhando e observando a visita acontecer”, complementou. 

A  presidente do Conselho de Direitos Humanos, Marinalva Santana, informou que, após tomar a termo as denúncias apresentadas pelas esposas dos detentos, o Conselho solicitou providências ao Ministério Público, ao Judiciário e  também a abertura de Inquérito Policial na Delegacia de Direitos Humanos. Ofícios da denúncias foram protocolados nesta sexta (04).

“Na segunda, nós vamos protocolar o ofício na Secretaria Estadual de Justiça pedindo que seja aberto o processo administrativo para apurar as denúncias, sobre bater e cuspir nelas, que é o que elas falam, e outras como a situação dos presos terem a água pra beber limitadas. Foi um grupo de oito mulheres que nos procuraram”. 

De acordo com o CEDDH, algumas esposas denunciaram que “os presos têm sido obrigados a sentar nus no chão, especialmente no horário de meio-dia, quando o sol é mais quente ainda. As mulheres relataram ainda que até o direito de beber água está sendo restrito”. 

“Os relatos das esposas dão conta que, por ocasião das visitas, a agente penitenciária, além de puxar os cabelos e dar tapas na cara das visitantes, também usa expressões depreciativas para se dirigir a elas, tais como: ‘Vocês são vagabundas iguais os maridos de vocês””, informou o CEDDH.

A Secretaria Estadual de Justiça informou ao Cidadeverde.com que até a publicação desta matéria não foi informada ou notificada oficialmente sobre as denuncias. Sobre a água, a Sejus ressaltou que está com o abastecimento normalizado. O espaço está aberto para esclarecimentos posteriores. 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com 

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