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Família luzilandense luta pela cura do câncer de filho

Rodrigo tinha apenas 2 aninhos quando foi começou a sentir dores nas pernas, dor de cabeça e apresentar febre alta e vômitos frequentes. Os pais o levaram para o hospital de sua cidade, em Luzilândia, onde ele ficou internado pelo avançado estado de anemia. Pouco depois, a criança foi transferida para Teresina, onde recebeu o diagnóstico de leucemia.

“Foi como se o mundo tivesse aberto um grande buraco. Eu não tinha ideia do que iria acontecer, até vir para o Lar de Maria e conhecer outras pessoas que estão passando pelo mesmo. Se eu não estivesse aqui seria muito mais difícil porque eu não teria onde ficar, eu não teria como pagar o transporte, a alimentação…”, conta a mãe de Rodrigo, Maria do Socorro, que tem 27 anos.

Socorro largou o trabalho de empregada doméstica para ficar com o filho. Atualmente, a família vive com o Bolsa Família e o Benefício da Prestação Continuada (BPC). “E agora meu marido conseguiu um emprego”, comemora Socorro, acreditando na melhoria das condições financeiras da família.

A rotina de mãe e filho agora é assim: eles passam alguns dias em casa, na cidade de Luzilândia, com o irmão de Rodrigo, o pai e o restante da família, e voltam para o Lar de Maria para seguir com o tratamento, que está na fase de quimioterapias semanais.

“Meu sonho é ver meu filho curado, para que ele possa voltar a brincar do que ele quiser, como era antes. Quero ter aquilo de volta. Ele vê o irmão brincando e quer brincar também, mas tem muitas coisas que ele não pode. Eu sonho em vê-lo rodeado de amigos, nas festinhas… ele não pode ir a festinhas porque tem muita gente, mas com fé em Deus as coisas vão melhorar. Eu acho que até o meio do ano, ele vai para o tratamento mensal e depois vai ficar curado”, diz a mãe, esperançosa.

A família luzilandense em Teresina é assistida pelo “Lar de Maria” que atende pacientes de 0 a 18 anos de idade em tratamento oncológico, que não têm condições financeiras de se manter em Teresina. O projeto inclui desde a hospedagem até a alimentação (seis refeições por dia) e o transporte para o hospital sempre que necessário, tanto para o paciente quanto para seu acompanhante, que pode ser pai, mãe ou qualquer outra pessoa que possa se responsabilize pela criança ou adolescente.

A vice-presidente da Casa, Graça Andrade, afirma que o Lar de Maria é totalmente mantido pelas doações dos teresinenses, sem qualquer apoio dos poderes públicos. “Hoje, nós temos 48 pacientes na Casa. Como os tratamentos são rotativos, conseguimos organizar tudo de uma forma que podemos atender a todos, nunca estamos completamente lotados. São crianças de fora de Teresina, às vezes até de outros estados, que não teriam como ficar, que abandonariam o tratamento se não tivessem onde ficar”, explica Graça.

Além dos voluntários, que são maioria no local, o Lar de Maria contrata trabalhadores que são essenciais para o funcionamento, como a cozinheira, os motoristas para levar os pacientes ao hospital, e o pessoal para a recepção e a contabilidade. A manutenção do projeto custa R$ 100 mil mensais, valor que é pago pela generosidade da população de Teresina.

“Não temos qualquer ajuda do governo. Nossa renda vem toda de doações e o que mais ajuda é o nosso telemarketing e as nossas campanhas. Temos, hoje, cerca de 10 mil pessoas que doam a partir de R$ 10. E pra mim, a doação de R$ 10 tem o mesmo valor da doação de R$ 100 porque o importante é a ajuda que estamos recebendo para manter esse lugar e poder ajudar as pessoas”, enfatiza Graça.

Ela, que é professora aposentada, mãe de 4 filhos, está no projeto de forma voluntária desde o comecinho, e compara o câncer a um túnel. “Todo mundo fala que existe uma luz no fim do túnel, mas no câncer, essa luz apaga e acende. Quando me aposentei, vi que precisava ajudar ao próximo, que esse era o momento. E hoje sou uma pessoa completamente diferente do que eu era 20 anos atrás. A luta das crianças me transformou, me mostrou o que realmente é importante na vida. Aqui as crianças tem data de entrada, mas não se sabe quando vão poder sair e voltar para casa”, conta.

Como ajudar

Para conseguir manter a sede e os projetos sociais, o Lar de Maria se mantém em campanha permanente. Além do telemarketing beneficente, a Casa tem duas lojas, uma na sede própria e outra no Hospital São Marcos, onde vendem roupas novas e usadas que são doadas. Em março, o Lar de Maria inaugurará a loja virtual.

Também são feitos quatro bazares. O próximo está marcado para maio e será voltado para as mulheres. “Quem quiser nos ajudar, aceitamos doações de qualquer tipo e tamanho de roupa, desde que esteja em bom estado de conservação”, afirma Graça.

Além disso, o Lar de Maria também tem o “Mercado do Bem”, localizado no bairro Dirceu Arcoverde, zona Sudeste de Teresina, que é uma loja de móveis e demais coisas de casa, que são doadas pela população.

Quem quiser ajudar, pode entrar as doações no endereço Av. São Raimundo, n.º 1000, Piçarra ou entrar em contato pelo telefone: (86) 3226-2323. Veja abaixo as fotos da estrutura do Lar de Maria oferecida às crianças e acompanhantes.

Fonte e foto: CidadeVerde.com

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