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Maior expressão cultural de Luzilândia, Maria da Inglaterra morre aos 81 anos

Morreu, aos 81 anos, às 22h10 desta quinta-feira, a cantora Maria da Inglaterra. Ela estava internada há cinco dias no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e a causa da morte foi doença renal crônica aguda. A confirmação da morte foi feita pelo produtor cultural e ex-empresário da artista, José Dantas. O prefeito de Teresina, Firmino Filho, decretou luto oficial por três dias.

Em entrevista o filho da artista, Deusimar dos Santos Silva, ressaltou que a mãe estava com apenas 24% dos rins funcionando e familiares aguardavam avaliação de um especialista sobre a possibilidade da mesma fazer hemodiálise.

“Ela estava sem fala e quase sem batimentos quando a levamos a um hospital do bairro. Lá  perceberam que o quadro dela era mais grave e encaminharam para o HUT. Até achamos estranho porque ela estava só com dores no abdômen, falta de apetite e diarreia”, disse o filho.

 A doença

Dantas conta que no último domingo esteve com Maria da Inglaterra, no bairro Anita Ferraz, e percebeu que ela estava triste e mais debilitada.

“Deusimar (filho de Maria) me falou que ela estava tendo alucinações, via gente entrando em casa e o estava deixando preocupado. Ela estava muito triste, chorava muito, deprimida. Vi que a situação era séria. Conversei com ela, a deixei um pouco animada”, disse Dantas.

Logo depois o quadro dela piorou, foi levada de ambulância do Samu para a UPA do Satélite e depois transferida para o HUT (Hospital de Urgência de Teresina).

“Ela estava com problema intestinal grave, com um rim parado e outro com funcionamento comprometido. Foi feita a hemodiálise, mas piorou e estava respirando com ajuda de aparelhos e culminou com a insuficiência respiratória”.

CD “O peru rodou” será disponibilizado na internet

Com a produção de Dantas, Maria da Inglaterra conseguiu gravar dois CDs – “O peru rodou” e “Alegria de viver”. Eles também produziram um DVD “Maria entre amigos” para homenagear a artista que é ícone da cultura popular.

Dantas informou que está disponibilizando nas plataformas digitais o CD “O peru rodou”, trabalho que foi bem aceito pelo público, já que todos os CDs foram vendidos.

Ele conta que Maria da Inglaterra deixou várias músicas inéditas e que ele pretende resgatar para deixar vivo seu legado musical.

Luto oficial

O prefeito Firmino Filho decretou luto oficial por três dias pela morte da cantora Maria da Inglaterra. Ele lamentou o fato. “Uma das mais notáveis representantes da cultura local, com forte expressão folclórica e que marcou a identidade da nossa música com canções que tratam da simplicidade da nossa gente”, disse Firmino.

A Prefeitura de Teresina e a Fundação Monsenhor Chaves emitiram nota de pesar se solidarizando com familiares e amigos, ratificando, principalmente, o agradecimento pela dedicação e exemplo de Maria da Inglaterra.

Para o prefeito, a cantora deixa um enorme legado para a cultura local e piauiense. “Mesmo sem saber escrever, Maria da Inglaterra compôs mais de duas mil canções. Com certeza sua genialidade, força, talento ficarão marcados para sempre em nossa memória. A cultura popular do Piauí não seria a mesma sem Maria da Inglaterra. O seu clássico “E o peru rodou” faz parte do patrimônio imaterial do nosso estado e com certeza continuará vivo”, destacou o gestor.

Velório e enterro

O velório da cantora Maria da Inglaterra acontece na residência da família, no bairro Anita Ferraz, na zona Leste de Teresina, mas está restrito a familiares e amigos mais próximos.

De acordo com o filho, Deusimar Santos, o enterro acontece às 11h desta sexta-feira(08) no cemitério do bairro Pedra Mole.

Ele agradeceu as mensagens e disse que poucas pessoas têm acesso ao velório, pelo momento que de pandemia. “Só tem os familiares e alguns conhecidos mais próximos e estamos nos protegendo, todos de máscara e com álcool gel”, afirmou.

Artista

Maria Luiza dos Santos e Silva virou cantora aos 26 anos. Em 1973, na primeira vez que subiu em um palco, Maria da Inglaterra foi campeã do Festival Universitário, realizado no Teatro de Arena, em Teresina, com a música “O Peru Rodou”. Na década de 1980 participou do projeto Pixinguinha, no Rio de Janeiro. Em 2010, a cantora foi homenageada no Dia Internacional da Mulher pelo programa Domingão do Faustão.

Quando completou 77 anos, Maria da Inglaterra teve a carreira contada em um DVD. O projeto “Maria entre amigos” apresentou releituras de suas composições feitas por músicos do Piauí. Daniel Hulk, Roraima, Rosinha Amorim, Wanda Queiroz, Soraya Castello Branco, Iracema Teles, Luciana Nunes, Gonzaga Lu, Nadedja Leal, Chagas Moura e Duda Li participaram do projeto. Aos 79 anos, Maria da Inglaterra ganhou uma homenagem de amigos e virou história em quadrinhos.

Personalidade popular e querida em todo o estado do Piauí, Maria da Inglaterra era muito considerada por seu talento e sabedoria no modo de viver. Em 1975, foi descoberta por Ricardo Cravo Albin, quando, em viagem pelo Brasil através do PAC – Plano de Ação Cultural do Ministério da Educação e Cultura – berço da futura FUNARTE, atraves do projeto História da Música Popular Basileira “De Chiquinha Gonzaga a Paulinho da Viola”.

Na ocasião, o pesquisador, impressionado com sua postura, que evocava ares de nobreza, a apelidou de Maria da Inglaterra, dando-lhe assim o nome artístico com o qual ficou conhecida por todos. Sua música penetra, inclusive, nas regões interiores próximas ao seu estado natal. Começou a cantar para o público aos 26 anos, tendo Luiz Gonzaga como ídolo.

Dois anos antes, Maria da Inglaterra venceu o Festival Universitário de Teresina com a canção “O Peru Rodou”. Sem saber ler, nem escrever, iniciou a compor a partir de uma visão que teve – segundo seu relato – numa noite, quando se preparava para dormir: “Vi, vindo pela janela, uma luz que veio se aproximando e, então, ouviu uma voz, de um homem e de uma mulher, que me disse: “Maria, vamos cantar”. As duas vozes lhe avisaram que ela iria sofrer muito, mas ia vencer cantando. E, então, teria que passar um ano na terra onde eles moraram – a praia de Boa Viagem”.

Desde então, ela passou a compor quase todos os dias. Seu marido a ajudava escrevendo as letras da músicas que compunha. Com sua morte, Maria passou a gravar sua composições num aparelho gravador. Em 2008, através do produtor José Campos e o apoio da prefeitura de Teresina, lançou dois CDs, registrando diversas composições.

Em março de 2009, aos 70 anos, foi destaque como personalidade feminina no dia internacional da mulher no programa “Domingão do Faustão”, na TV Globo. No evento, foi entrevistada pelo apresentador Fausto Silva, que mostrou depoimento de Ricardo Cravo Albin sobre seu talento e importância no cenário da música popular brasileira. Nesse evento, interpretou 3 composições suas, sendo uma delas a “O Peru Rodou”, composta na ocasião da morte do cantor Agostinho dos Santos, num acidente aéreo.

Natural de Luzilândia, no interior do Piauí, Maria da Inglaterra é uma das maiores referências da música e do folclore piauiense e tem cerca de 2000 composições.

Maria da Inglaterra, cujo nome de batismo é Maria Luiza dos Santos Silva, morava com o filho e ao longo da vida perdeu 70% da visão. Sem fazer shows há algum tempo, os dois sobrevivem da aposentadoria da artista. No HUT, Deusimar e a irmã se revezavam nos cuidados com a mãe.

Nossa homenagem à maior expressão artística de Luzilândia, que conquistou o mundo

 

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